São Paulo, uma cidade nazista

•17/10/2011 • 5 Comentários

Foi um fim de semana triste em São Paulo. Primeiro pelo tempo horrível, chuva inclemente, cinza dominante. Sábado bom pra dormir o dia inteiro, uma pena, pois era 15 de outubro, dia global de ocupação das ruas na luta contra a delinquência ultracapitalista. Em SP, marcada pro Largo São Bento, a ocupada não atraiu mais do que 70 heróis. Eu, na minha preguiça paulistana, não saí da cama antes das 2 da tarde, e não saí de casa antes de escurecer. Mas era dia de Festa Fela, evento que me motivou a abandonar temporariamente minha aposentadoria de baladas e chacoalhar o esqueleto ao som de um bom e velho Afrobeat homenageando o gênio nigeriano Fela Kuti. Isso significava até encarar o temerário ESTÚDIO EMME, onde eu nunca tinha posto os pés e sabia que a latinha de Devassa custava SETE REAIS.

Ou seja, se fazia necessário um esquenta, e o destino me levaria ao velho e bom BAR E LANCHES TUPINAMBÁ, eternamente conhecido como Bar do Seu Zé, na aprazível esquina da Cardeal com a Simão Álvares, pertinho do tal Emme. Passei na casa da namorada, que deu carona para as quatro insperáveis amigas Le, Li, Fe e Ma, que se apertarem no banco de trás. No buteco, tratamento vip do grande Giovanni, que nos colocou numa mesa embaixo do toldo lateral, do lado da banca, nos protegendo da chuva que não parava e permitindo aos fumantes fumarem. E dá-lhe cerveja e as impecáveis empanadas chilenas descendo a rodo. Claro que a fartura nos gerou uma conta de 270 pilas pra pagar na hora de ir embora e se encaminhar para a Pedroso. Eram 0h30, ou seja, 1h30 no recém-chegado horário de verão. Sabe-se que por imposição municipal o buteco tinha que fechar a 1h, imposição que o Seu Zé tem seguido a risca. Mas nesse horário, nojentamente e covardemente se aproveitando da pegadinha do horário de verão, a administração do Sr. Gilberto Kassab e seus sub-prefeitos oriundos da Polícia Militar, com a ex-inofensiva e agora igualmente selvagem Guarda Civil Metropolitana, baixou no bar e mandou lacrar. Inacreditável truculência e total indisposição para diálogo e argumento. A única coisa que o fiscal falou é: “ele (o dono) sabe quais são os trâmites”. Tática covarde e vil. Em suma, uma ação nazista em sua esssência. Como diria Mano Brown, Adolf Hitler sorri no inferno. Depois do ocorrido no Seu Zé, onde tive que ser contido pela namorada para não xingar os agente da lei do Kassab e me arriscar a ser preso por desacato, até fui na Festa Fela, e até dancei, e até me diverti. Mas a noite já estava arruinada. Foi um dia triste, apesar das mais de mil pessoas que foram lá chacoalhar com o espirito do senhor Fela Kuti, o libertário negro sensual negativo de Kassab.

Não é por acaso que é nesta São Paulo que a extrema-direita skinhead neonazi bota as manguinhas de fora espancando gays e qualquer um cuja mera existência ou ofenda. É a mesma coisa que os vizinhos do Seu Zé fazendo abaixo-assinado para que não se instale no pedaço ex-podreira e agora valorizado da cardel um albergue para sem-teto. É a mesma coisa das hordas de descendentes de pé-rapados europeus que vieram pra cá serem quase escravos que se horrorizam com quem veio depois e não tem a pele tão branca e o sotaque tão familiar, e se encastelam em seus condomínios neo-jecas com ~espaço gourmet~ e seus SUVs blindados. Pessoas que não conseguem se divertir e serem felizes, então desejam a mesma amargura e tristeza para os outros. Que cidade é esta que estas pessoas estão construindo? E que cidade é essa que nós, que gostamos da rua, das bebedeiras, dos shows, da eferverscência cultural, da loucura caótica da metrópole, tacitamente permitindo que continue. A Vila Madalena já era, o ~Baixo Augusta~ é o próximo. A vida noturna, meio sem querer, só ajuda a especulação imobiliária e a gentrificação que vão acabar por expulsar a própria vida noturna até o ponto em que ela não mais exista em São Paulo. Aí então a cidade estará morta, e seremos cúmplices, assim como os blogueiros/twitteiros descoladex que fizeram campanha pelo Kassab. O higienismo nazista de síndico de condomínio simbolizado e liderado pelo senhor Kassab vai matar São Paulo. Ano que vem tem eleições, e elas serão a mais importantes da história recente de nossa cidade. Se deixarmos mais um filhote do Kassab no comando, não vai ter mais pra onde correr.

A Berlim que nos anos 20 era o lugar das vanguardas, da loucura cultural e artística, de um movimento gay, comuna, dadaísta louco underground, precisou de um hitler, toneladas de bombas, e um muro para voltar a ser a metrópole vibrante louca cheia de coisa legal pra fazer que é hoje. Será que São Paulo vai precisar de seu Hitler e seu muro para voltar a ser uma cidade legal? Espero que não, e tentarei fazer minha parte para que isso não aconteça. Espero que você também faça sua parte.

Ele voltou pra Cantareira, por um bom motivo!

•12/07/2011 • 19 Comentários
rainha atonita

Crédito da Foto: namorado da princesa Marininha (acho)

Nosso relato começa no dia 6 de julho de 1961. Ou melhor, no mesmo 6 de julho, mas de 1948. Nesse dia nasceu o senhor Arnaldo Dias Baptista, filho de Clarice Leite Dias Baptista, a primeira mulher no mundo a escrever um concerto para piano e orquestra (!!!) O irmão mais velho, Cláudio, era Luthier e gênio da então incipiente eletrônica na música. O mais novo, Serginho, guitarrista tocando as guitarras feitas por Cláudio. Desta época, a obsessão de Arnaldo pelos sons dos amplificadores VALVULADOS. Aos sete já estudava piano crássico, e foi salvo por John Lennon e Paul McCartney, que tiveram a ideia de montar uma banda num 6 de julho, de 1957.

Flavião nasceu de família menos erudita, mas desde tenra infância no PARI era um destes caras que BUSCAVAM CONHECIMENTO. Já contei um pouco da história de vida do mestre aqui. Mas o importante é: nos 22 anos como funcionário do glorioso Jornal da USP e nas quase duas décadas frequentando quase diariamente o CA da ECA para tomar sua cristã pós-expediente, o Flavião tocou muitas gerações de moleques inteligentes e gente fina como ele, mas que ao contrário dele tiveram a sorte de passar na Fuvest e estudar na ECA, e mais importante, percorrer o SOLO ABENÇOADO daquele lugar, das imediações da árvore rosa, do CA velho, da praça do relógio, do aprazível CA da Vet e, mais recentemente (últimos 9 anos), da prainha e do CA novo. Assim ele foi o catalizador de algo maior que ele e maior que todos nós, a criação de uma unidade de amizade que transcendeu e transcende barreiras geracionais, preferências estético-políticas e psicológicas e todos os eventuais entreveros e desentendimentos, uma turma de amigos contada às centenas, algo que nunca vi e acho que nunca verei em qualquer outro lugar.

Fazia um tempo que não escrevia aqui, e queria escrever algo sobre como as cenas culturais brasileiras sempre descambam pro terreno da ‘ação entre amigos’. Foi assim na época da bossa nova, da tropicália, da MPB setentista, do rock oitentista, e ainda hoje persiste, como a gente pode ver na ceninha ‘moderna’paulistana que orbita em torno do Studio SP. E na nossa humilde mas significativa ‘cena ecano-mundrunga’ ou como vcs preferirem chamá-la. Vi isso muito claramente lendo o ‘Noites Tropicais’, livro de memórias do Nelson Motta, o FORREST GUMP DA MPB, heheh… apesar de muitos criticarem essa tendência, com motivos justificados, não vejo muito como fugir. A cena dos anos 60, dos beatniks, a geração perdida da Paris nos anos 20, etc, tb eram, mais que uma cena cultural, um grupo de amigos talentosos se ajudando e enchendo a lata juntos. Bem, chega dessa digressão.

Sem a genialidade de Arnaldo Baptista, o tropicalismo nunca teria existido. Ele (e também Tom Zé) foram os mais radicais, os que não se conformaram, não viraram medalhões e, Arnaldo principalmente, foram abandonados pelos amigos agora medalhões, mergulharam de cabeça na loucura, na demência, na expansão sem limites da consciência e da criação musical, e Arnaldo viu a morte de perto. Sim, ele se jogou do quarto andar do hospital em 1982, quase morreu, perdeu massa encefálica, disseram que nunca mais ia tocar e compor. Foi salvo pelo amor de uma mulher, Lucinha, que também tive o prazer de conhecer no sábado. E neste sábado, 9 de julho de 2011, tudo fez sentido.

Flavião e Arnaldo, dois faróis, dois mestres, cada um a sua maneira, se encontraram, por obra de cerca de uma centena de amigos, que se esforçaram, meteram a mão no bolso, dispararam MILHARES de emails, carregaram peso, percorreram dezenas de vezes a sinuosa estrada Santa Inês, ficaram sem dormir, brigaram (claro), mas mantendo essa bela união que parece indestrutível, proporcionaram a Flavião, Arnaldo e a todos ali um dia inesquecível. Neste 2011 que não está devendo nada a 1968, já tinha falado que me senti parte de algo maior, belo e importante, na marcha da liberdade, e senti o mesmo, de forma muito mais intensa e concentrada, neste sábado. Quando Arnaldo começou a tocar e cantar a BALADA DO LOUCO, eu e quase todo mundo ali na beira daquele lago, com o sol caindo entre as árvores e olhado hipnotizados para um piano emoldurado por uma casinha de sapé, nos debulhamos em lágrimas… de alegria. Lágrimas que eu sequei no ombro da minha menina Jana, com o coração tomado de alegria e gratidão por estar vivendo aquilo ao lado dos meus amigos e ao lado dela, e naquele momento senti o amor genuíno, transcedental, transbordante, que nunca havia sentido na vida, foi foda.

Esse foi o relato emocionado, arrepiado, mas devo dizer que não faltou nada. Tudo o que piramos e viajamos, mas que também planejamos e arregaçamos a manga pra fazer rolar, rolou. Rolou o sistema de som, com piano microfonado. Rolou o camarim lindo na casinha de sapé, que Fetu, Babi e minha Jana arrumaram com extremo carinho e cuidado. Rolou chopp Bamberg de três tipos, rolou churrasco, comidas mil, rango vegetariano, doces, bolo psicodélico, cupcakes do Flavião, rolou fogueira, lareira, fogão a lenha. Rolou Dudu e seu violão por horas a fio, e depois uma seleção mundrunga de sonzitos com destaque para o Gil e Jorge no fim da madrugada, com os resistentes em volta da fogueira em descontrolada risadeira tomando vinho da adega Lorenzetti. Rolou a rebarba no dia seguinte. E, sim, rolou a surpresa. Até chegar lá, levado por sua princesa Marininha, Flavião não sabia de nada. Foi devidamente coroado e desceu com seu séquito até o lago, e só soube que Arnaldo estava lá quando a porta da casinha de sapé se abriu. Um encontro pra ficar na história, capturado por dezenas de câmeras. E rolou o senhor Arnaldo Baptista, 62 anos de vida e muitos anoz-luz de genialidade, sentado ao piano, tocando com emoção e quase incredulidade um punhado de obras primas musicais, de suas ‘Lóki’, ‘Será que vou virar bolor’, a já citada ‘Balada do Louco’, ‘I Got You Babe’, um pout-pourri de Ray Charles ‘Georgia on my mind’e ‘I Can’t stop loving you’, e até um trechinho de JOHANN SEBASTIAN BACH, talvez o que começou essa história toda uns 400 anos atrás. Arnaldo voltou para a Cantareira, a profecia se realizou, o ciclo se fechou. Tudo valeu a pena. Para ele, para o Flavião, e para nós todos, que nesse cínico e frio início do século 21 ainda acreditamos na amizade, no amor, na consciência, na COMUNHÃO CÓSMICA, enfim, na vida. Obrigado Arnaldo, obrigado Flavião, obrigado irmãos Lorenzetti, família Tristão, família Grilli, Sapito Milonga, Giba y Dileo, princesa Marininha, Dani Ponei, Fetu e Barbara, Lau Fosti, Xan, e todos os cerca de uma centena de presentes e os que não puderam comparecer. Rico é o homem que tem bons amigos

Sábado gelado e inesquecível em São Paulo

•30/05/2011 • 1 Comentário

Sabe aqueles raros momentos em que você realmente se dá conta que está em meio a algo maior, algo legal mesmo, algo que vai ser lembrado, que vai ser histórico? Poisé, no final da tarde gélido e belo de final de maio, descendo a rua da Consolação para cair no centro HISTÓRICO de São Paulo, tive essa sensação, e recomendo. As cerca de 5 a 10 mil (xize) pessoas que estavam ali, entre eles alguns amigos, muitos conhecidos, minha linda Jana e seus amigos que vão MUDAR A JUSTIÇA deste Brasiu, devem em algum momento daquelas algumas horas ter sentido o mesmo. Em pleno 2011, maio de 2011, ano em que revoluções quase espontâneas vem pipocando por todo mundo, do WISCONSIN ao IÊMEN, São Paulo decidiu-se que também quer brincar de ‘um mundo melhor é possível’ e deu um sutil tapa na cara de um monte de gente que tem medo de ser livre, e não quer ver ninguém livre.

Não, não estive na também histórica, pelos motivos errados, marcha do sábado anterior. Teria ido, se não tivesse chegado em casa sem dormir às 10h da manhã e ao acordar às 16h ter visto que já tinha dado merda. Mas foi a altiva coragem dos fritos com que eles enfrentaram as balas de borracha, gás de pimenta e bombas de efeito moral naquele dia ensolarado que fez com que tanta gente se unisse em uma semana para fazer uma das manifestações populares mais significativas de São Paulo nos últimos anos.

Centenas de reivindicações convergiam no denominador comum: liberdade de expressão e repúdio à violência policial. Sobre ambas há muita controvérsia, apesar da constituição democrática brasileira ser clara. A primeira instituição a cair no ridículo foi o SISTEMA JUDICIÁRIO que vem mostrando seu inerente reacionarismo, coisa que sinto que vai mudar quando a molecada nova do DIREITO que tá se infiltrando no sistema começar a dar as cartas. Gostaria muito de ver a cara de tacho dos excelentíssimos senhores promotores e desembargadores desta comarca da capital.

Mas enfim, sábado eu estava lá, e não conseguiria não ter estado lá. Todos que estavam lá sentiam que era importante estar lá. Para mim, me fez ver que apesar de todas as porradas da vida, estamos no caminho certo, e na verdade sofremos menos dos que tem medo daquilo tudo. E queremos que todos entendam isso e contribuam para a inevitável EVOLUÇÃO.

Enfim, essa foi a milonga, agora vamos tentar relembrar o que fiz nesse sábado. (O que não fiz: fumar coisas ilícitas na rua)

Já acordei meio SOBRESSALTADO, umas 9 e pouco, mandei um café da manhã rápido e embarquei no primeiro busão do dia, rumo ao Terminal Bandeira. Ia encontrar minha Jana na LIBERO BADARÓ, tentar arregimentar uns camelôs e gente diferenciada em geral para engrossar o bloco da esquerda festiva classe média/universitária, mas sem muito sucesso. Sucesso melhor tive na empreitada de voltar a ter um celular, e de comer um prosaico e delicioso sanduba de mortadela na gloriosa CASA DA MORTADELA da São João. Pegamos um Pìnheiros que descia a Augusta na Ipiranga, que enfrentou trânsito intenso na São Luís. Descemos a Paulista da Augusta até o Masp e nos deparamos com a já famosa parede de policiais em perfeita ordem e eficiência que nos ‘protegeriam’ durante o percurso. No vão livre, uma galerinha ainda pequena e um pouco tímida, mas empenhada em distribuir flores e sorrisos e good vibes, um bom sinal. Logo encontrei a família Tristão, e a Amandinha, amiga gente finíssima da Jana que tirou belas fotos.

A Jana, pobre, não conseguiu fazer o exame que tinha que fazer de manhã, e remarcou para as 3 da tarde. A marcha só sairia às 4. Levei ela no metrô, e na volta Dani Grillo, com o vizinho Murilo e seu irmão, falaram que iam ter que ver a final da champions na casa do Murilo, ali na Peixoto Gomide. Aproveitei a oportunidade de usar um banheiro decente antes de sair andando, e claro, vai o primeiro tempo do jogo e tomei umas brejas. Da janela já dava pra ver a marcha saindo e passando longa e devagar pela Paulista, em mais absoluta paz e tranquilidade. Não me aguentei e desci, virando na Augusta pra pegar a Matias Aires e a marcha decendo a Consolação em minha direção. Foi de arrepiar, principalmente na hora do MINUTO DE SILÊNCIO na frente do Cemitério e do prédio do TRIBUNAL. Achei a queridíssima Laura e pouco depois minha Jana e seus amigos que, honrando a tradição da ADVOCACIA, produziam cervejas geladas da mochila.

Cantando os gritos de ordem como ‘kassab que vergonha o busão tá mais caro que a pamonha’, ‘coxinha faz mal, pamonha é natural’, o hit ‘quem não pula quer censura’, interagindo em diversos níveis com a galera em volta e pirando com o cenário tão familiar da cidade naquele belo e frio fim de tarde, abraçado à Jana, me dei conta que aquele seria um momento que eu ia lembrar como um dos mais legais da minha vida. A culminação de uma escolha que eu e muitos ali fizeram, que eu havia feito há uns 10 anos, tomando cerveja na Cardeal com a molecada que havia tomado borrachada na passeata anti-Alca. É muito mais legal ir pra rua, conhecer pessoas, interagir, chapar o coco, desfrutar da música, da arte, da inebriação, das conversas bêbadas, e sim, de todos os problemas advindos dessa escolha, do que passar minha vida se arrastando de casa para o trabalho e vice-versa. Sim, trabalhar é necessário, é legal e importante, e pode ser até prazeroso, mas existe o terceiro pé desse tripé: pode chamar de ócio, falta do que fazer, hobbies, atividades-extra-curriculares, vagabundagem, politicagem, boemia, enfim… é a ÁGORA, o local onde o CIDADÃO se encontra e troca idéia, lembram? Não existe cidade sem a ÁGORA, e São Paulo, que teve surtos de progressismo e reacionarismo a intervalos regulares, e estava sendo assolada por um atroz reacionarismo confrontado apenas (e se confrontando) com o hedonismo hipster ‘tô nem aí’ do Baixo Augusta e com aquela galera que povoa os pretensos botecos da Vila Madalena, enquanto na infinita periferia a molecada era controlada à base de muito cassetete e coisa pior.

Acho que o pêndulo da história está naquele momento em que chegou ao auge da energia POTENCIAL e vai começar a transformá-la em CINÉTICA. Sentia no rosto da galera que estava lá, muitos dos quais convivi em diversos graus nesta DÉCADA que começou em 11 de setembro de 2001. Sobrevivemos à essa década, confiantes que a liberdade viria através do cabo do modem, descobrimos que ela ajuda, mas não é nada enquanto apenas ficarmos em nossas casas e não formos à Ágora de fato.

Foi com esses sentimentos ricocheteando no peito que cheguei à República, após o interessante momento em que a nossa marcha de fato encontrou o povo, ali na Xavier de Toledo/Praça Ramos, que foi um choque de realidade necessário. Levei a Jana ao ponto de ônibus na São João, voltei para a República e ainda tomei mais uma e fumei um GITANE SEM FILTRO com os amigos dela, sim aqueles que acho que farão algo para modernizar essa Justiça brasileira que simbolicamente proibiu uma Marcha da Liberdade que aconteceu com milhares de pessoas e nenhum problema. A polícia militar mostrou seu militarismo apenas na estrita disciplina à ordem do governador que, devemos dizer, mandou bem. Ainda encontrei alguns conhecidos, entre eles o grande Thiaguinho, malucão que conheci na sexta série, vejam vocês. Mas tava já quebradasso, e a perspectiva de uma BALADA FORTE ainda pela frente me causava tanta ansiedade quanto naquela manhã, quando acordei. Mas feliz com o sucesso da marcha, enchi o coração de alegria e encarei a caminhada de volta ao Terminal Bandeira. Banho, um BEIRUTE e uma horinha de soneca depois já estava quase recuperado. Quase.

E lá saí de novo pra pegar mais um busão, o quarto do dia, rumo à tal da Vila Madalena. Mas desci lá na Cunha Gago, ainda antes da Teodoro, e fui andando até a Mourato, subindo essa rua que conheço tão bem por inúmeros rolês nesta década, com o trânsito infernal e todos os bares caros e sem personalidade cheios de pessoas com dinheiro mas sem personalidade. Passei lá pelo lugar onde em 2004 sonhei em fazer parte da NOITE PAULISTANA no finado bar do Paulada. E entrei no Ateliê do Gervásio, que ainda está lá mais de oito anos depois da PRIMEIRA OUTUBROUNADA. Hoje estava escalado pra mandar um som logo após a apresentação de JAZZ, RIBS E ABOBRINHAS. Balada ótima, cheia de bons amigos, alguns que não via faz tempo, show tesão da banda dos menino e muita diversão na DISCOTECAGEM. O único stress foi num momento de CAOS NO BAR, mas tudo bem, faz parte.

Já eram pra mais de cinco e o horizonte começava a clarear quando nos enfiamos no carro do Zílio para irmos até a Teodoro, onde a Jana, que tinha tentado confiar no transporte público pós balada, pegou o LAPA HELP pra sua casa. De lá ainda caminhei, com os membros amortecidos pelo frio e as costas travadas, até o ponto da Faria Lima com a Rebouças, pensando nessa vida loca, mais de dez anos indo pra balada e voltando de busão. Valeu a pena? Valeu sim, e tá valendo, essa vida é muito divertida.

Casadalapa: E a balada em SP resiste

•04/04/2011 • Deixe um comentário

Foto mequetrefe do celular mostrando a vista do alto da casa

Era uma casa muito engraçada, essa tal casadalapa. Num pedaço ainda não foi estuprado pela especulação imobiliária deste bairro tão legal de SP, na parte conhecida como VILA IPOJUCA, na encosta do morro, havia uma casa grande, terreno daqueles compridos, em vários níveis, acompanhando a elevação do morro, com jardinzinho no fundo. Lá, um bando de 18 malucos artistas plásticos designers videoartistas e coisaetal se juntaram para trabalhar coletivamente, cada um na sua pira, mas com alguma coisa em comum. E como ninguém é de ferro, voltaemeia essa galera organiza festas por lá. E neste sábado, o mote da comemoração eram os cinco anos de existência da casa.

Fiquei sabendo da bagunça pelo sempre bem informado Rodrigo Lorenza, e embora o tempo nublado e chuvoso do sábado não fosse muito animador e tivesse afugentado a maioria dos possíveis baladeiros que contatei, a sempre valente Liginha, além do próprio Lorenza, estavam lá. Antes, dei uma passada na casa do camarada Paulão, que celebrava seu aniversário, e fiquei devidamente calibrado no quesito etílico. Da casa dele, no começo da Raposo, tinha que pegar um busão até a Rebouças com a Faria Lima e de lá o bom e velho Terminal Pirituba, 847P até a descida da Lapa. Entrei numa padoca da Faria Lima pra comer um pedaço de pizza pra encarar o rolê, e então caiu o mundo. Esperei a chuva acalmar e peguei o busão, já preocupado pq o Lorenza havia avisado pra chegar cedo, pq era grande a chance do pico lotar, apesar da chuva. O desespero aumentou no trânsito surreal naquele trecho infernal da Vila Madalena por onde o busão passava, mas cheguei. Já tinha uma galera, mas deu pra entrar de boa. Peguei a primeira latinha de Itaipava meio quente (fazer o que) e fui circulando pelos muitos ambientes, e não foi a toa que o Lorenza falou que ali rolava um clima SERRA PELADA, com a galera subindo e descendo como formiguinhas as diversas escadas e corredores do terreno inclinado da casa. Me acomodei num canto, perto do bar, claro, deixei minha mochila num cantinho interno, protegido da chuva, e fiquei observando o ambiente e a galera, aquela mistureba de malucos, artistas, hipsters, descolados, deslocados, mulherio em profusão e os demais exemplares da fauna noturna paulistana, que com cada vez menos lugares legais para ir, sempre acabam se encontrando quando rola uma balada legal dessas.

Claro, fumaça liberada, som bom, bebida barata, nada de seguranças cuzões, galera do bem organizando… mesmo com chuva, todo mundo quis ir, e o pico lotou rapidamente. Consegui achar a Liginha, que foi companhia inseparável e inestimável durante a noite. A grande atração musical seria o grande EDGARD SCANDURRA com seu projeto de covers do Hendrix, If 6 was 69. Impossível se aproximar do minúsculo espaço em frente do palco, mas deu pra ouvir bem um dos melhores guitarristas brasileiros reproduzindo com galhardia os clássicos de mr. Hendrix. Nessa altura não conseguia me mover mais do que os dois metros do cantinho onde estava até o lugar que pegava a cerveja. A mina que heroicamente ficou o tempo todo na breja me adorou por estar cheio de notas de cinco e facilitar o troco. Só depois das quatro, com a balada um pouco mais vazia, conseguimos nos aproximar do som, que no momento mandava um funk pancadão xize, mas logo melhorou com o novo DJ só mandando pedradas rock and roll, e já completamente alcoolizado e com as costas que doem há mais de duas semanas anestesiada, dancei que nem louco. Diversão pura. Quando me dei conta já amanhecia. Bora pegar o busão pra casa, um tanto quando desorientado. Peguei o primeiro que passou, um Terminal Campo Limpo que deixaria a Liginha na porta de casa, mas eu sei lá onde. Resolvi descer quando o cobrador falou para uma mina que ali daria pra pegar o Santa Cruz (875C). Desci lá na Afonso Brás e desci andando pra casa, na felicidade da dor amortecida dos bêbados e por constatar mais uma vez que apesar do Kassab, apesar da higienização, apesar da caretização, e da CYRELIZAÇÃO, a São Paulo festeira, roqueira, fumante, maluca, artística e inquieta que aprendi a amar ainda existe. É só saber onde ela está nesta noite. Pode ser em qualquer lugar.

Nesta sexta agora (08/04), ela estará na gloriosa ZAPATERIA, aquele porão muito doido embaixo de uma loja de botas pra motoboy na Consolação, esquina com a Cesário Motta Jr, que já falei por aqui. Desta vez, o cardápio musical é do mais puro JAZZ, mas a combinação lugar inusitado, galera sangue bão, sonzeira e bebida barata é garantida. Bora lá?

Homenagem ao Flavião e ao sétimo e meio andar

•16/02/2011 • 1 Comentário

Era uma vez um moleque que, vai saber por que, queria ser jornalista. E sei lá como, ele conseguiu passar no vestibular pra jornalismo na ECA-USP, um dos mais concorridos do vestibular mais concorrido do país. E, bixo de tudo, esse cara caiu no VÓRTICE conhecido como ‘CA da ECA’. Com seus coleguinhas bixos, esse cara começou a conhecer a veteranada e galera agregada que frequentava o CA. Entre eles estava os CABELUDINHOS, entre eles um mais velho, já careca na frente mas ostentando seu rabo de cavalo atrás. O bixo abestalhado não consegue entender de imediato o que representavam esses cabeludos. E tinha até medo de, se ficasse lá muito tempo, acabar igual o careca cabeludo.

Com o passar do tempo e do convívio, o bixo e sua turma, que adoravam uma bagunça, se enturmaram muito bem com os veteranos, inclusive esses veteranos lendários e cabeludos, que diferiam dos veteranos imediatos, meio “coxinhas”, pra usar a linguagem corrente. O bixo ficou amigo de muitos deles, e um dos que se tornaram seus melhores amigos era o tal careca cabeludo, o Flavião. Descobri que o figura trampava como diagramador do Jornal da USP. Ele foi até no JUCA daquele ano, o último que encarou. Mas a EPIFANIA do que significava todo esse MUNDRUNGUISMO foi no famigerado Fumeca, sob chuva torrencial, onde a MAIOR BANDA DO MUNDO, os Lisérgicos Românticos, formado por TODOS estes mundrungos, e com Flavião encarnando JOHN BONHAM na bateria, sem baqueta.

Mas só conheci bem o Flavião quando comecei a estagiar no SÉTIMO E MEIO andar do prédio da Antiga Reitoria, na gloriosa revista ESPAÇO ABERTO, que tinha um cantinho na redação do Jornal da USP. Sempre que chegava, lá pelas 14h, ele me dava uma aloprada no caminho pra sua mesa, de onde tinha talvez a melhor vista da USP. Naquela época, a galera ainda fumava lá, veja você, e Flavião detonava um maço de Marlboro vermelho em uma jornada de trabalho. O chefe também fumava um cigarro atrás do outro, única vez em que realmente presenciei o clichê romântico de jornalistas fumando milhares de cigarros e tomando milhares de cafés no FECHAMENTO. Isso fazem oito anos, e o pouco menos de um ano que trabalhei lá, que aproveitei menos do que poderia, ainda sim foram e provavelmente serão a melhor época da minha vida.

Nestes oito anos de convivência, aprendi com Flavião e sua verve, sabedoria e experiência de vida, muita coisa sobre história, jornalismo, são paulo, roma, a usp, a política, o futebol, etc, etc.. e descobri que ele nasceu no mais puro BRÁS´(na verdade, no Pari), de uma família portuga, e é corinthiano, claro, apesar do pai ser são-paulino. Cresceu durante a ditadura militar, em uma família humilde que conseguiu aproveitar um pouco o MILAGRE no início dos anos 70 até a crise que chegou ao auge nos anos 80. No Brás, se inteirou na MALOQUERAGE local, inclusive entre a galera operária, sindicalista, anarquista, etc, como o sapateiro espanhol que vendia literatura anarquista. Estudou no colégio José de Anchieta, cercado por italianos, judeus, árabes, etc. Ia nos bailes lendários da época, no CURINTIA  e outros clubes. No do Clube Tietê, conheceu a lorinha com quem ia acabar se casando e tendo uma filha linda, Marina, nascida literalmente no meio do stress do Plano Collor, imaginem só. Garoto inteligente que gostava de ler, ele entrou em Direito no Mackenzie, se envolveu lá no movimento estudantil, em meio à galera predominantemente de direita do Mackenzie mas se tornou militante do então recém-nascido Partido dos Trabalhadores. Estagiou em escritórios de direito mas não conseguiu acabar a faculdade, em meio ao clima de liberou geral do fim do Regime Militar. Foi trabalhar na Folha de S. Paulo, primeiro como peão mesmo, mas depois passou a trabalhar na composição dos jornais que iam para a gráfica. Em 1988 passou num concurso para fazer o mesmo no jornal da USP. Acompanhou a mudança com a chegada dos computadores, e agora trabalha num Mac Pro de última geração. Em 22 anos de convivência na USP, passou por muitas e boas, até terminou o casamento, e foi morar em repúblicas com seus amigos moleques da ECA. Diz que teve uma ‘segunda juventude’ nestes anos. Hoje talvez seja o último dia em que o Flavião vai trampar lá no sétimo e meio andar. Realmente foi privilegiado por ter uma qualidade de vida rara em São Paulo, mas mereceu, ao menos por tantas pessoas que passaram por aquele CA da ECA e foram privilegiadas com a sua companhia, entre eles esse moleque que chegou na ECA e tomou um susto quando o conheceu. Ele tem talvez mais 8 anos até se aposentar. Será que nesse tempo ele vai voltar a fazer sua caminhada diária pela Cidade Universitária?

Onda Nova e a São Paulo de 1984

•27/12/2010 • 1 Comentário

Onda Nova. A New Wave. O ano é 1984. Não aquele do Orwell. Eu tinha 2 anos de idade. São Paulo era uma cidade diferente então, mas nem tanto assim. Bem, a galera fumava que nem louca dentro do bar e ambientes fechados em geral. Não tinha essas coisas de internet, celular, redes sociais e o escambau. A Aids ainda era um fantasma distante (mas isso mudaria rapidamente). No Brasil, e em particular em SP, 1984 foi um ano intenso, o ano das Diretas Já, a conclusão definitiva da tal ‘abertura’, e a música e o style da época no mundo, que chegava aqui com relativa rapidez, era a New Wave.

Todas as épocas e lugares mutcholocos da humanidade devem ser eternizados em livro, teatro, filme, etc, para que as gerações posteriores possam ver o que aqueles malucos faziam lá atrás. E o filme Onda Nova, de José Antonio Garcia e Ícaro Martins, é uma dessas cápsulas do tempo onde vemos que tudo o que achamos super moderninho e descolado (putaria hetero, lesbo e gay, e drogas, basicamente), os caras faziam com muito menos pudores (lembrem-se, pré-Aids).Mas tinha todo o peculiar STYLE new wave, da qual alguns elementos estão voltando, (RESTART, p. ex.)

Outra coisa que já tinha lá há 26 anos atrás era o FUTEBOL FEMININO. E o arremedo de roteiro é sobre um grupo de gatinhas descoladas da época que para dar um belo tapa na cara da sociedade montam time de futebol feminino, treinado pelos dois galãzinhos do filme (que vão se pegar no final, se não me engano). Neste momento devo lembrar que eu vi o filme na madruga no Canal Brasil mais dormindo que acordado, e não lembro muito bem, hehe.

Entre as gatinhas está VERA ZIMERMMAN no apogeu da glória, Carla Camurati também no FRESCOR dos vintepoucos anos, Tânia Alves, Cida Moreira, REGINA CASÉ e CRISTINA MUTARELLI em todo o esplendor new wave verde limão (ok, as últimas não são assim tão gatinhas, mas na época ambas davam um caldo, viu)

As garotas vão treinar no CURINTIA, e ninguém menos que CASAGRANDE aparece as HIMSELF, e protagoniza ao menos uma cena de SEXO QUENTE (com a Vera Zimmerman, acho). Mas reza a lenda que o Casão brigou com a produção e deixou a filmagem, e foi substituído por um SÓSIA em várias cenas.

Há ao menos duas cenas de LESBIANISMO quase explícito que rapaz, vou te contar… além de uma surpreendente cena PEDERASTA, entre os galãzinhos de quem falei acima (um deles é o PATRÍCIO BISSO). Ah, anos 80… E muita nudez frontal completa, sim senhor, inclusive uma indefectível cena de VESTIÁRIO com as gatinhas na banheira.

Mas há muito mais. Há as roupas, as camisetas muito mais legais que as camisetas hipsters que a gente vê por aí hoje em dia, méritos da direção de arte, cenografia e figurinos a cargo de MUTARELLI, que deve guardar até hoje aquele óculos verde-limão. Há a mãe de uma das minas, uma gordona taxista que dirige o busão quando elas vão jogar em SANTOS cantando Robertão a plenos pulmões, e cujo taxi a filha rouba e acaba pegando ninguém menos que CAETANO VELOSO (tb as himself), que dá um pega nervoso numa mina no banco de trás da fuqueta e depois ainda dá um migué falando ‘po, eu nunca ando com dinheiro, sempre pagam tudo pra mim’. Há as minas fumando unzão nas arquibancadas da FAZENDINHA. Há também a sempre divertida dublagem psoterior que era praxe nos filmes nacionais de então, há as gírias, algumas que rolam até hoje, outras que ficaram na história. Há até o apoio cultural do RITZ, claro.

Podem dizer que as cenas de putaria quase explícita do filme são apelativas, gratuitas e o caraio, mas tô esperando pra ver algum cineasta da NOSSA GERAÇÃO fazer algo tão ousado, mas contando a história dos nossos tempos. Mas temo que a suposta libertinagem que tá rolando nos anos 10 é fichinha perto da dos anos 80. Somos mesmo tão mais caretas que aquele nosso tio que tinha seus vintepoucos anos quando a gente era criança?

Locão não pode votar em Serra

•28/10/2010 • Deixe um comentário

Finalmente está chegando a hora da eleição. Aleluia, irmãos! Ninguém aguenta mais o FEBEAPÁ (Festival de Besteiras de Assola o País, termo criado por Stanislaw Ponte Preta). Mas antes que acabe, quero que dar meus dois tostões aqui sobre Serra x Dilma. Há o argumento de que os dois são praticamente a mesma coisa. No macro pode ser, mas nas questões que realmente pegam pra mim, são muito diferentes. Serra é a face mais deprimente da classe média pra alta de São Paulo, que se entrichera em condomínios fechados, torres de escritório inexpugnáveis e SUVs blindados, que não consegue olhar um centímetro além do próprio umbigo. Quando vejo jovens da minha idade enchendo a boca para falar que vai votar no Serra, sinto desespero. E esse papo moralista do segundo turno conseguiu deixar tudo ainda pior, com papo de aborto, casamento gay, o perigo das DORGAS, etc. dá uma preguiça né? Poisé…

Faço um paralelo com os EUA. vcs conhecem os reaças americanos, os republicanos, ultra-religiosos, belicistas e tal. bem, eles só conseguiram eleger o Bush (além da trapaça eleitoral da Flórida) porque a galera mais locona achava que republicanos e democratas eram farinha do mesmo saco e, sendo o voto não obrigatório, nem se deram ao trabalho. Aqui vejo muita gente boa repetindo esse argumento, muitos votaram na Marina, ou anularam, ou nem foram votar. Bem, esse recado é para vcs. Vocês realmente acham que Serra = Dilma? O higienista, que flerta com os setores mais retrógrados da igreja, com os ruralistas, com a turma do ‘bandido bom é bandido morto’, com as velhinhas que acham que a juventude está entregue ao tóchico e à devassidão, é igual à mina ex-guerrilheira? Infelizmente, pela campanha moralista de baixíssimo nível que rolou, a Dilma teve que fazer essas concessões, sobre o aborto principalmente.

Se você mora em São Paulo, vê a que interesses serve o governo e a prefeitura demo-tucana. Você que gosta da diversidade, da rua, da interação social, do intercâmbio cultural e artístico, das novas formas de se relacionar com a cidade, consigo mesmo e com seus conterrâneos, que gosta da noite, da balada, da putaria, da música, de encher a cara, de fumar, e não quer o governo apitando no que vc deve ou não deve fazer em sua vida, não pode votar em José Serra. já é suficientemente deprimente saber que o opus dei Alckmin vai voltar a governar o estado, e que o sindicuzinho de condomínio Kassab tem mais dois anos na prefeitura. Visualizem ter o sr. José Serra na presidência da república. Não dá, bicho. Se você não consegue votar na dilma, tem seus motivos, então vai viajar, porque o feriado vai ser de sol.