Benvindos ao SP Lado B

Olá, mundo. Esse é o SP Lado B. Aqui pretendo narrar fatos curiosos ocorridos nas minhas andanças pelas profundezas da noite paulistana. Ontem, por exemplo, fui parar num lugar onde nunca tinha ido antes, um dos butecos mais ROOTS CULTURE onde tive o prazer de pôr os pés. Noite de quinta-feira, ainda não tinha saído essa semana, tava louco pra tomar uma gelada honesta nas ruas dessa cidade. Tava um frio do cacete para o verão, ventava e garoava, mas minha vontade de sair era maior. A opção era o aniversário de uma amiga no Traço de União, tradicional casa de samba pra playboy e gringo ver, 20 reais só pra entrar. Desnecessário dizer que preferi a alternativa pé no chão, botecos da Cardeal Arcoverde, lugar onde me sinto em casa. O Montanha, véio companheiro de buteco, falou que estaria no Real. Cheguei lá e nada do frito. Quase desisti e voltei pra casa, mas resolvi persistir e o locão apareceu. Tomamos algumas no Real, decidimos atravessar a rua e ir no bar da frente, o Tupinambá, mais conhecido como seu Zé. A ideia era saborear a excelente empanada de lá, para matar a larica. O quitute realmente é fantástico, grande, quentinho, bem recheado e bem condimentado. Nesse interim, chega o Brunão. Devidamente alimentados, tomamos mais algumas brejas e o sono chegou, lá pela meia-noite. Decidimos ir embora, mas com o Montanha nunca se sabe. Subimos a Teodoro degustando um ótimo verdinho que o Brunão pôs e deixamos ele pra pegar o ônibus no viaduto 9 de Julho. Então, o Montanha vira pra mim e declara: Paulada, agora vou te levar num lugar que você vai gostar.

Rumamos para a Bela Vista. Na subidinha da Treze de Maio, em meio a lugares já contemplados com a REVITALIZAÇÃO URBANA resiste um buteco que parece pertencer a outras eras, talvez aos anos 80. A porta tem vitrais coloridos, logo na entrada um grande quadro com uma paisagem PANTENEIRA se sobressai no ambiente esverdeado. O salão está vazio, e o cara do balcão e uma mina jogam caixeta. O montanha parece frequentar faz tempo o lugar. “Vamo lá em cima”, diz. Lá em cima tem umas mesas de sinuca e  personagens saídas diretamente de algum romance noir. Tomamos uma breja lá, enquanto o montanha espera seu contato. Ele chega e eu fico sozinho no balcão, mas não por muito tempo. Logo uma figura invulgar adentra o recinto. Um tiozinho de baixa estatura, barba branca, cara de alucinado, carregando embaixo do braço uma tela com uma pintura de uma paisagem noturna, lua cheia em meio a nuvens no céu avermelhado. Gostei da figura e da obra. Ele não hesita e vem puxar papo. “VocÊ já conheceu algum artista? Artista de verdade?”, pergunta. “Cara, acho que não”, é minha resposta. Isso parece agradá-lo. Saca debaixo do braço a tela e pergunta se eu gostei. “Claro, é bem legal”, é tudo que eu consigo dizer. Orgulhoso, aponta o painel na parede do bar. “Você consegue ler o nome ali? Rogerca. Sou eu. Prazer, Rogerca. “Pô, quando eu entrei aqui curti essa pintura, queria saber quem tinha feito”, digo.  Vendo que a plateia tá ganha, Rogerca começa a falar sobre sua visão da vida, da arte e tudo isso que está aí. “Eu já trabalhei no estúdio do Mauricio de Souza, na Abril. Mas um dia eu larguei tudo, e passei a viver só da minha arte. Do que vem de dentro de mim. Hoje eu vivo só o agora, não penso no futuro nem do passado. Tudo que eu tenho é a arte, e tudo que eu preciso pra continuar vivendo é o reconhecimento de pessoas como você. Aliás, quer levar esse quadro? Qualquer dez conto você leva”. Eu levaria fácil, mas no momento o que eu tinha de dinheiro do mundo se resumia a 10 conto pra pagar as brejas já consumidas. Nessa altura montanha volta do banheiro feliz e animado, se empolga com o quadro do rogerca e diz que vai levar. “Só vou pegar a grana lá no carro”. Volta com uma cara de susto, falando “putz paulada, levaram minha mochila do carro!”. Desconcertados, vamos ao carro, e o frito acha a mochila, ele não tinha visto embaixo do banco de trás. Feliz e aliviado, compra o quadro do Rogerca e vamos embora, dando a noite por encerrada. Sucesso em mais uma empreitada rumo ao submundo paulistano.

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~ por pnoviello em 23/01/2009.

4 Respostas to “Benvindos ao SP Lado B”

  1. Hi, this is a comment.
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  2. Aê, começou em grande estilo, mandaver rapá!

  3. Rogerca onde esta voce eu estou aqqui so pra te ver!!! ligue pra nos so em segundo de tela do lixo e um dedo de emocao.

  4. onde esta vc?

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