Da cortesia paulistana

O que vou dizer aqui pode causar estranhamento, mas vou dizer pra vocês: estou cada vez mais convencido de que São Paulo é a cidade mais cortês do Brasil. É uma cortesia peculiar, difícil de ser percebida, mas está lá. E a razão para isso é simples. Numa cidade como São Paulo, a única coisa que impede as pessoas de se lançarem em fúria umas contra as outras é essa tácita regra de convivência que exige o “por favor”, o “muito obrigado”, o “com licença” e o “desculpa”. Tente pegar um metrô ou ônibus na hora do rush. Sem se utlilizar e esperar que os outros se utilizem destas regras de gentileza (e claro, de uma grande dose de paciência), você vai querer simplesmente metralhar todo mundo a sua volta, e isso não é uma opção viável. Estamos todos juntos nessa merda, então tanto melhor que tentemos conviver de boa. Claro que volta e meia você cruza com alguém mal educado, e as vezes até você mesmo, num dia ruim, esquece essas regrinhas de convivência, mas digo sem sobra de dúvida que aqui a boa educação fala mais alto.

Onde eu mais sinto essa cortesia paulistana é justamente na noite, e principalmente, no atendimento dos bares. São Paulo é de longe a cidade onde melhor se atende, ao menos pela minha experiência. Depois de um fim de ano em Cajaíba onde o melhor era desistir de ser atendido nos barzinhos da praia, como me senti confortável ao sentar no Mercearia São Pedro e desfrutar da eficiência, ainda que meio mal-humorada, do bom e velho França. Não me levem a mal, nada contra a galera de Cajaíba, que são muito simpáticos, e talvez seja má vontade de paulistano, mas eu to acostumado com uma coisa, e lá a coisa é bem diferente. Na verdade o lance é que em São Paulo se você não for eficiente, vai rodar. Todos os melhores garçons do Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, etc, acabam em São Paulo. No post sobre o Pau Brasil deixei de louvar a presteza das duas garçonetes do bar, que sempre sorridentes e simpáticas, conseguiam mesmo com o bar lotado dar conta do recado. Teve uma hora que o lugar tava explodindo de gente, uma delas passou por mim e eu falei meio que quem não quer nada “po, eu queria uma cerveja agora”, e ela sem pestanejar me deu uma das três que ela estava carregando. Devo dizer que fiquei comovido. Então presto homenagem a elas e tantos outros garçons exemplares que já me serviram por aí, como os fantásticos atendentes do Estadão, o já citado França e outros do Mercearia, os brothers do Samaro, Dedé, Will, Bigode, o baixinho do Real, o aposentado seu Zé, entre tantos outros. Saúde!

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~ por pnoviello em 29/01/2009.

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