Session Cineminha

no meu extenso tempo livre nos últimos tempos tenho visto vários filmes que tava precisando ver. Aqui estão cinco películas representativas vistas na última semana: dois brazucas bons, duas comédias descompromissadas surpreeendentes e um clássico revisitado:

1- O Cheiro do Ralo

ah, a bunda

ah, a bunda

Fazia tempo que tava querendo ver esse. Recomendadíssimo por quem já tinha visto. Aproveitei que ia passar no Memorial da América Latina de graça numa tarde de quarta-feira pensando que ia ver na tela grande. Que nada. A exibição foi nas televisõezinhas 21 polegadas da videoteca. Tudo bem. Baseado numa obra do mestre Lourenço Mutarelli, essa fábula sobre a coisificação do ser humano (gostaram?) é uma pequena jóia cinematográfica. O diretor Heitor Dahlia fez da câmera parada a meia distância, por onde os personagens se deslocam em frente de cenários industriais abandonados, a marca registrada visual do filme. O personagem principal, Lourenço, é um tremendo filho da puta. Seu trabalho é ficar sentado numa sala bizarra, onde entram seres desesperados que querem vender objetos inusitados, porque estão desesperados por dinheiro. Lourenço invariavelmente humilha esses seres, e paga miséria pelos produtos. Geralmente eles aceitam, pq afinal, precisam do dinheiro. Lourenço só vê coisas na sua frente. Fetichista mórbido, ele logo anuncia para noiva: “eu não te amo, nunca amei ninguém, eu não quero me casar”. Claro que ela não gosta nem um pouco, afinal os convites já foram pra gráfica. A existência vazia de Lourenço ganha algum significado quando ele conhece A BUNDA. A BUNDA é a transcendência que faltava em sua vida. A bunda pertença a uma ingênua garçonete do boteco sórdido onde Lourenço vai todo dia comer horríveis x-vinagretes, só pra ver A BUNDA. Ah, já ia esquecendo do tal cheiro do ralo. O ralo do banheiro da sala bizarra do Lourenço exala um odor desagradável. Para todo mundo que entra na sala, ele explica que o cheiro ruim que estão sentindo é do ralo. Um violinista que queria vender um STRADIVARIUS, para o qual Lourenço oferece algo em torno de 50 conto (não me lembro direito), é taxativo: “Esse cheiro vem de você”. Isso abala Lourenço. Obcecado, ele tenta tapar o buraco do ralo, sem sucesso. Começa a achar que o cheiro do ralo é responsável por sua vida sem sentido. Acaba concluindo que o ralo é um PORTAL DO INFERNO. Uma das clientes mais assíduas dele é uma magrelinha junkie que vende tudo o que tem, provavelmente pra comprar droga. Não tendo mais nada a oferecer, ela oferece sua nudez a Lourenço. Isso não acaba nada bem. Antes, num INTERLÚDIO uma gostosona entra na sala e faz um joguinho com Lourenço que sai caro. Num dos dias no buteco Lourenço deixa escapar que “pagaria para ver A BUNDA”, o que deixa a garçonete possessa. Ah, tem também o OLHO DE VIDRO que alguem vende pro Lourenço, e ele fala pra todo mundo que o olho é do seu pai. Ele leva o olho pra ver A BUNDA. Enfim, não devia estar fazendo o resumo do filme aqui. Digo que o roteiro faz jus a obra de Mutarelli (que atua como segurança do Lourenço), a fotografia é puro delírio visual, a atuação de Selton Mello é IMPECÁVEL e A BUNDA é realmente espetacular. Apesar de não poder ser considerado comédia, tem alguns momentos engraçadíssimos, principalmente o programa de ginástica com a TIAZINHA que o Lourenço vê na TV. O fim é fodástico, mas claro que não vou falar aqui. Quem não viu, veja! Parafraseando o Cardoso, NICE ENUFF

2- Estômago

a melhor coxinha do mundo (aparentemente)

a melhor coxinha do mundo (aparentemente)

Mas o melhor filme nacional de 2008 talvez seja esse Estômago. Dirigido pelo ilustre desconhecido MARCOS JORGE (mais conhecido por CLÓVIS, EL ESPAÑOL), esse talvez seja também o melhor filme sobre gastronomia da história do cinema (Não assisti Ratatouille ainda, preciso ver). A história é tão simples que deveria estar IMPLORANDO para que alguém a filmasse. Raimundo Nonato é mais um cearense que chega a uma cidade que é mezzo São Paulo mezzo Curitiba pra ganhar a vida. Claro que ele não tem um puto no bolso, e tá com fome. Depois de perambular por viadutos e mais viadutos ele está cansado, com fome e com sede. Entra num buteco furreca administrado por um FDP qualquer, pede duas coxinhas, água na torneira e adormece no balcão. Na hora de fechar, o dono do bar acorda o Nonato e, como obviamente este não tem dinheiro pra pagar, então obviamente tem que lavar os pratos. Como também não tem onde dormir, o dono fala que ele pode dormir no quartinho se ajudar a cozinhar no dia seguinte. Aí ficamos sabemos que Nonato é um verdadeiro mestre inato da arte da culinária. As coxinhas dele começam a ficar famosas. Uma puta gordinha se apaixona pelas coxinhas e por extensão se apaixona por Nonato. Dá gosto ver a SOFREGUIDÃO com que a moça degusta as coxinhas. Um dono de restaurante prova a coxinha de Nonato e logo percebe que o rapaz tem talento.

Ah, concomitante à essa ação se passa outra história. Nonato está na cadeia (não sabemos porque). Quando perguntam seu nome, ele responde, para gargalhada geral: “Nonato Canivete”. Timidamente, ele vai ganhando o respeito dos BANDIDÕES BARRA PESADA do xilindró com seus dotes culinários, com os quais torna a gororoba da cadeia mais palatável. O bandidão master da cadeia consegue contrabandear ervas e temperos, entre eles o indispensável ALECRIM, que se torna a ALCUNHA do Nonato.

Enquanto isso, no outro STORY ARC, Nonato rapidamente galga posições na cozinha do restaurante italiano, cujo dono vai ensinando a ele os segredos da gastronomia. As aulas do italianão dono do restaurante são um deleite pra quem gosta de cozinhar. Nonato pede a mão da puta gordinha em casamento. Ela no entanto ainda não deixa ele beijá-la na boca, de acordo com a ética do meretrício.

De volta a cadeia, Nonato prepara um antológico banquete para os cadeeiros em homenagem a um bandido de alto gabarito interpretado pelo PAULO MIKLOS. A cena do banquete é fácil a melhor do gênero que eu já vi, superando fácil aquela famosa do A Festa de Babette. No final, claro, a gente descobre porque o Nonato foi parar na cadeia, mas claro que não vou estragar a surpresa pra vocês. Só digo que a parada é ROOTS.

A direção de MARCOS JORGE é, digamos, precisa. A atuação é deveras convincente e verossímil, os diálogos ótimos e para um entusiasta da culinária como este que vos tecla, a diversão é garantida. Eu pagaria caro pra provar aquela coxinha. E agora já sei o que vou fazer se um dia for parar na cana. Conquistar o respeito da bandidagem pela BOCA. A tese aqui é bem clara: Comida é poder. Veredicto: SO NICE YOU WANNA PLAY IT TWICE.

3- Pineapple Express

Amigos de beck

Amigos de beck

Ainda inédita no Brasil, esta que é a melhor COMÉDIA DE MACONHEIRO já feita (com todo respeito ao clássico Cheech & Chong) é facilmente achada nos torrents da vida. Dale é um maconheiro dos grandes. Seu trabalho é entregar intimações judiciais. É um trabalho de merda, mas permite que ele esteja sempre chapado. Seu fornecedor é o típico trafica boa-praça Saul, que está com um novo tipo de erva, a PINEAPPLE EXPRESS. E o bagulho é dubom. “Smells like god’s vagina”, segundo o trafica. Dale tem que entregar uma intimação na casa do cara que por acaso é o atacadista da GANJA na região. Enquanto ele dá o último pega antes de bater na porta do patrão da boca, testemunha um assassinato. Apavorado, tenta arrancar com o carro e joga a ponta na rua. O patrão e uma policial corrupta gostosa que é cúmplice do crime acham a ponta e logo percebem que é do PINEAPPLE EXPRESS. Não demora muito para irem atrás do Saul, que é o único trafica da cidade que tem essa variedade. Isso faz com que Saul e Dale saiam em fuga desesperada e descubram que são os melhores amigos um do outro. Os destaques aqui são muitos. Os capangas atrapalhados do patrão da boca são hilários, principalmente o negão com SENTIMENTOS. O Red, amigo do Saul que o dedura pros BAD GUYS tb é sensacional. O cara não morre nunca. As cenas de perseguição e luta são demais. Diálogos ótimos, personagens verossímeis (po, o Dale até que parece comigo), e diversão de maconheiro acontece o tempo todo. Lendo resenhas gringas na net, descubro que o diretor do filme, David Gordon Green, vinha de trabalhos em filmes indies mezzo artísticos, o que dá para notar. A diferença de qualidade entre este e a maioria dos filmes de maconheiros que tem por aí é gritante. Como outros filmes produzidos pela trupe de Judd Apatow, principalmente os escritos pelos brothers Seth Rogen e Evan Goldberg, esse filme é sobre amizade. As vezes parece meio piegas, mas nem… Como já disse, diversão garantida praquela sessão de cinema carburada com os amigos e muita larica em alguma noite de vagabundagem. SO NICE YOU WANNA PLAY IT TWICE!

4- Superbad – É Hoje

tipica balada da sábado a noite

típica balada da sábado a noite

Se Pineapple Express é a melhor comédia de maconheiro ever, esse Superbad é provavelmente a melhor comédia de moleques nerds que querem se dar bem na balada. Representante genuíno da linhagem de clássicos como Porky’s e Mulher Nota 1000, esse filme vai ainda mais longe na putaria, escatologia e incorreção política em relação aos anteriores. Feito pela mesma galera de Pineapple Express, foi escrito pelo gênio da raça Seth Rogen com seu comparsa Evan Goldberg.

Sehth e Evan (sacaram? é o nome dos roteiristas) são melhores amigos desde crianças. Eles estão acabando o colegial e vão para faculdades diferentes. Seth é gordinho, crespo, seboso e tarado. Evan é magrelo, branquelo, tímido e tem cara de bobo. Ou seja, dois clássicos nerds. Seth está preocupado porque não sabe qual site pornô vai assinar no ano seguinte. Obviamente os dois são virgens, e irão continuar virgens até o fim do Ensino Médio se não fizerem algo a respeito. E no caso, fazer algo a respeito é descolar o goró para a festa que vai ter nessa noite ( o filme todo se passa em um dia) na casa da menina mais gostosa da escola. Junto com Fogell, que de tão nerd é zoado até pelos dois outros, eles vão ter que se virar pra descolar o goró. Como estamos nos EUA, o jeito é descolar uma carta de motorista falsificada. Fogell garante que consegue uma. Mas quando ele a mostra pros amigos, o nome no documento é apenas MCLOVIN. MCLOVIN?! “What, are you trying to be an Irish R&B singer?”, pergunta Seth? “What? One name? ONE NAME? Who are you? Seal?”, completa Evan.

Enfim, McLovin  vai comprar o goró numa loja de bebidas mas quando está pagando um maloquero entra, manda uma MUQUETA nele e rouba a loja. Entram em cena uma dupla hilária de policiais que dão uma carona pro McLovin. Os outros dois moleques, achando que o McLovin rodou, vão atrás do goró por seus próprios meios, e acabam indo parar numa festa muy bizarra com uns junkies, na casa dum psicão com a camisa da SELEÇÃO CANARINHO. Seguem-se as habituais confusões e aventuras, e eles conseguem finalmente chegar na festa. Aí vocês terão que ver o filme. A trilha sonora é pura sonzera, abusando de GROOVES, funks e demais black music das antigas, mas rola até um VAN HALEN no meio. Os personagens são impagáveis, principalmente o gordinho. quem nunca teve um colega de escola como ele? o mais impagável é a história de que quando ele tinha 9 anos tinha obsessão de desenhar PIROCAS no caderno. Os policiais são engraçados mas acabam aparecendo muito no filme, que deveria se concentrar mais nos moleques. Deve ser pq um dos policiais é justamente o roteirista Seth Rogen. Mas de qualquer forma, puta filme. Diversão e risadas garantidas. Mas como os outros filmes de Rogen, além da risadeira tem um tema mais profundo, que, assim como em Pineapple Express, é a amizade dos protagonistas. Altamente recomendável. Todo mundo que foi adolescente um dia vai se identificar, apesar das diferenças culturais. Afinal, aqui no Brasil não é tão difícil prum dimenor conseguir comprar goró.

5 – O Balconista

que trabalho de merda, hein meu filho?

que trabalho de merda, hein meu filho?

Esse filminho feito em 1994 já tem seu lugar na história do cinema. Trata-se do sonho molhado de qualquer moleque indie  estudante de AV. Foi famoso por custar apenas 25 mil dólares e render alguns milhões e muita fama ao diretor Kevin Smith. O que Smith tinha era um ótimo roteiro com diálogos geniais sobre um dia na vida de dois losers que trabalham em uma loja de conveniência (Dante) e numa locadora de video (Randal). Se transformou no filme símbolo do estilo de vida Slacker. sabe aquele seu amigo que não tá nem aí pra nada, não quer saber de carreira, não sabe manter um relacionamento, trabalha num emprego de merda mas é engraçado? esse é um slacker. vendo o filme, a gente até acha que 25 mil saíram caro, mas claro que antes do vídeo digital era uma bica pra filmar e revelar película. hoje acho que com MILÃO daria pra fazer esse filme. De qualquer forma, não é a toa que virou um clássico. Pena que os filmes posteriores do Kevin Smith não ficaram à altura. Talvez seja a perda da autenticidade, mas se Smith for lembrado por um filme será esse. Indispensável.

bom, chega, já escrevi demais… assistam esses filmes! eu to mandando!

beijos

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~ por pnoviello em 05/02/2009.

2 Respostas to “Session Cineminha”

  1. vou tentar assistir. vou ver se arrumo por aqui, se consigo baixar ou se consigo ver online.

    fazia tempo que eu queria ver esse filme do marcos jorge, uma vez que eu gostei muito do outro que ele fez – praticamente sozinho – “24 hs no largo da batata”.

    ate a proxima!

  2. HAHAHAH, Adorei os textos e as palavras em caixa alta!
    Muito bom, Paulão!
    Vou assistir ao Pineapple Express hoje e amanhã comento aqui. Ele saiu no Brasil com o nome “Segurando as Pontas”. ENTENDEU?

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