A Cerca Frango do apagão

Poisé criançada, quando eu digo que a cerca não falha, to falando sério. Ontem, apesar do já histórico apagão que deixou as escuras boa parte do Brasil, nos reunimos à luz de velas para tomar a cerveja do bar do Dorival antes que ela esquentasse.

No momento em que as luzes falharam, eu estava, pra variar, nas dependências do Centro Acadêmico Luz Cósmica. Foi bizarro, a luz oscilou, oscilou, e quando caiu, bem na hora começaram a soar FOGOS DE ARTIFÍCIO  e a galera que tava nas salas de aula deu urros de felicidade, afinal daquele momento em diante não haveria mais aula. Pra sair da USP, o caos, todo mundo querendo ir embora ao mesmo tempo, no escuro, sem semáforos. Até aí achava que era um problema localizado, talvez alguém tenha feito uma merda na Física ou na Engenharia Elétrica e derrubado do disjuntor da USP. Mas, saindo da Cidade Universitária, fiquei impressionado ao ver todo o caminho até o Largo da Batata totalmente às escuras.

Estava acompanhado da sempre empolgada Mari, que dirigia o carro compreensivelmente com medo, comigo do lado indicando o caminho e tentando tranquilizar a moça. Ao chegar na esquina da Cunha Gago com a Cardeal, tudo escuro, sem semáforo e com os busões descendo À milhão a Cardeal. Paramos o carro num lugar visível da mesa do bar, onde já estavam Crovis, Fred, e Diogão, com seu indefectível pote de CAMARÃO SECO adquirido em São Luís do Maranhão e que perfumava o ambiente remetendo a algum mercado de peixe tropical. Com a curiosidade jornalística atiçada, peguei o celular da Mari pra ouvir as notícias do rádio, que eram sinistras. Vários estados, entre eles São Paulo, Minas, Rio, Paraná, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, estavam as escuras.

Faminto, pedi uma coxinha que traçei antes de começar a beber a breja, nesse ponto ainda geladaça, apesar da geladeira desligada. Grupos de pessoas passavam pela rua escura em direção à Cardeal, onde os ônibus passavam cheios. A essa altura o bar já estava mais cheio do que o normal, e foi enchendo ainda mais, grupos animados discutiam sobre o apagão. A nossa mesa destoava um tanto do perfil socio-econômico-demográfico, digamos assim, das mesas vizinhas, mas nenhuma atmosfera de hostilidade. Arrisco comer alguns camarões secos, pensando que se a luz não voltasse nunca mais, essa seria a opção de ingestão de proteína preferencial, então melhor começar a ir se acostumando… Quando dava vontade de mijar, ao invés de arriscar o banheiro do bar no escuro, ia dar uma banda na rua envolta em trevas e mijava em alguma árvore.

A terça-feira, 10 era aniversário do ilustre André ‘Bigode’ Tristão, que foi comemorar a dois com a esposa mMarion na Liberdade, mas prometia colar na cerca depois. Claro que com o apagão não rolou, mas cantamos parabéns pro gajo via celular e apagamos a velinha do bolo ali na mesa, cantando parabéns a plenospulmões e chamando a atenção do resto do bar. Comemos o bolo feito pela Bia, muito bom diga-se, e quando a Denise chegou com todo seu charme reclamando que não tinha ganho bolo, ainda havia uma última fatia, ainda bem…

Lá pelas 2h30, quando já estava todo mundo acostumando e até gostando do escuro, e Sapito Milonga, presença ilustre, falava sobre os diários cortes de luz em Luanda, Angola, onde toda casa tem gerador, a luz voltou, ofuscando a galera na mesa. A essa altura o bar estava completamente lotado, provavelmente o seu Dorival e a Denise nunca venderam tanta cerveja numa terça-feira. Minbha teoria é que todos os insones de Pinheiros que ficam normalmente morgando na frente da TV tiveram a ideia de ir pra rua ver o apagão. Foi bonito, viu… claro que é uma merda quando rola essas coisas, rola preju, rola nego preso no elevador, rolou arrastão no Anhangabaú às escuras sem policiamento, mas… é uma sacudida na rotina elétrica do pessoal, acho que todos vão lembrar onde estavam quando faltou luz em 10 de novembro de 2009.

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~ por pnoviello em 12/11/2009.

Uma resposta to “A Cerca Frango do apagão”

  1. Muito emocionante o parabéns via telefone. Tem coisas que só a tim proporciona, né?

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