Caminhante Noturno

Rapaz, como eu gosto de andar à noite pela cidade vazia. Geralmente só faço isso quando já estou meiobebadomeiochapado voltando de algum lugar e não tem mais busão, afinal quem já precisou de transporte coletivo na madrugada paulistana sabe a  dureza que é. Mas após aquele primeiro momento em que eu amaldiçoo o Kassab, começo a andar e viajo. A última vez que tinha feito isso foi voltando de uma cerca frango no Largo da Batata pra casa. Fui pelo meio dos Jardins, em silêncio total, sem vivalma na rua, parecia outra cidade, uma cidade onírica. Além de ser um exercício bom, esquentar e queimar o álcool na volta pra casa, é uma verdadeira redescoberta da cidade. Sem transito, sem pessoas, sem barulho, ouvindo só o som dos próprios passos. E sempre acontece algo legal no caminho. Ontem, por exemplo, fui espairecer da depressão do domingo a noite indo na casa da Lígia. Após tomar umas brejas e me divertir com vídeos do Youtube, vi que já era 0h20, e sabia que o último TRÓLEBUS  saía da Cardoso de Almeida tradicionalmente às 00h35. Ainda na outra esquina, cinco minutos antes do horário estipulado, vi ele saindo do ponto final. “Fodeu”, pensei. Naquele horário busão só na 9 de Julho. Pensei, “bem, vamo que vamo, a noite tá do jeito que eu gosto”. Subi a Cardoso de Alemeida até a Dr. Arnaldo, única subida do percurso, sussa. Cheguei aquecido na Dr. Arnaldo e vi que no cesto de lixo próximo aos boxes que vendem flores haviam várias flores descartadas, inclusive uns botões de rosa e um vasinho com umas azuis pequeninas. Peguei duas rosas pra fazer um mimo pra mamma. Cheguei até a Paulista, e desci a Padre João Manuel, virando na Itu até chegar na Nove de Julho, pirando no contraste entre a horrenda arquitetura dos prédios mais novos, que jogavam luz na minha cara e e me brindavam com seguranças mal-encarados, e os mais discretos e muito mais style prédios mais antigos. Apenas ali no ponto de ônibus vi pessoas, uma pequena reunião de garçons, cozinheiros e outros trabalhadores da noite voltando pra o merecido descanso. Peguei o busão e em menos de dez minutos estava em casa. De caminhada, devagar e curtindo o visual e o silêncio, foi cerca de uma horinha. Só precisa de um bom e confortável par de tênis. O sonzito no MP3 Player é opcional, as vezes pode ORNAR bem com o clima, mas ouvir apenas o som da cidade dormindo também é mó legal. Recomendo a todos uma caminhada noturna.

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~ por pnoviello em 02/08/2010.

3 Respostas to “Caminhante Noturno”

  1. Pelo jeito há duas Ligias que moram perto do ponto do Trolebus na Cardoso. Hehe. Ela é ECAna também?
    Se eu não fosse uma menininha pequenininha, certamente sairia andando pela cidade a noite. É um outro mundo.

  2. Confesso que nesses tempos de Pompéia sinto falta de uns rolês desse tipo.

  3. Já fiz uns rolês desses, inclusive com a vossa companhia. É um pouco perturbador quando uma cidade tão maquinal se deita em silêncio. A sensação de que pode acontecer tudo ou nada, não há vivalma, o que te faz perguntar, onde está a_+tua. Lirismos paulistanos 😉

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