The Jazz Hole

Outro dia tava eu aqui querendo fazer rolar uma balada squatstyle, e eis que na última sexta-feira caiu uma no meu colo. E que balada! Um porão caindo aos pedaços, stencils bem locos, galera sangue bom, e JAZZ! O que mais eu podia querer?

Bem, vamos recapitular como eu fui parar em tal lugar. Sexta-feira, terceiro dia do trabalho novo. Tinha ido dormir tardão após amargar mais uma eliminação do meu time na Libertadores. Acordei 7 e pouco, com um humor nada amistoso. Humor que melhorou um pouco com o almoço na sempre divertida companhia do Doidera. Chegando o final do expediente, estava cansado mas não queria ir pra casa e perder o bonde da noite de sexta. Olhando pela janela, via a Marginal Pinheiros travada. Tinha combinado com o Montanha de encontrá-lo no tradicional boteco dos tiozinhos da Bela Cintra. Como chegar lá se tornou motivo de preocupação. Cheguei à conclusão que a única alternativa era encarar as baldeações trem/ponte orca/metrô da Berrini até a Bela Cintra. E lá fui eu. Até que foi rápido, e teria sido bem mais se eu não ficasse mais de vinte minutos na fila para a ponte orca.

Chegando lá, a fauna de sempre. Montanha com o figuraça Tadeu, que conhece todo mundo no bar. Uma mina ADEVOGADA bem louca. Os velhinhos apoiados no balcão. Uma molecada saída do futebol tomando uma breja. Marronzinhos da CET e policiais a paisana, inclusive um que me deu um santinho de outro gambé que é candidato a deputado. Me comunico com o Brunão que havia informado sobre uma pré-baladinha num bar descolado/hipster na Barra Funda, onde a Chebel botaria um som. Cedo, ele disse, mas isso não impediu que ele e o Renato Atuati enrolassem e a gente chegasse no Café Elétrico, o tal bar, quando a Renata já estava indo embora. Resignados, pedimos umas Heineken lá mesmo, e o bar é de fato bem style. O Brunão trombou um japa gente fina que tinha trabalhado com ele na Abril e ficamos trocando ideia enquanto o Atuati tentava averiguar possibilidades de baladas para o momento.

E quando ele nos informa que uma amiga chamou pruma balada num pico xis perto da Maria Antonia que ia rolar uam banda de jazz, não pensamos duas vezes. E podia levar bebida, ele disse. Com a friaca dominando a noite, achamos por bem comprar uns vinhos bons e baratos no mercado e rumamos pra lá. Bem, vamos tentar descrever o local (relapso que sou, não tenho nenhuma foto pra mostrar). Não sei se vcs já viram que na Consolação, logo depois que passa o minhocão, tem um pico que vende BOTAS PRA MOTOBOY. Se você virar a esquina da Cesário Motta Jr, verão que o pico é uma casa daquelas bem velhas, com porão. A entrada é abaixo do nível da rua. Tem um stencil dum cara tocando trompete. A porta tem um metro e meio de altura. Entrando lá, você está num porão, debaixo de onde é a tal loja de botas pra motoboy. Há outros stencils e grafites bem locos. Um cara alto como eu tem que andar curvado. Atravessando o porão se chega a uma área nos fundos com teto mais alto. O teto é uma inacreditável armação ORGÂNICA de ripas de madeira segurando um telhado arregaçado de brasilit. O lugar todo parece estar aguardando o momento em que finalmente irão demolir tudo para fazer algo novo. Enquanto isso não acontece, uma galera agita umas baladas lá, sempre uma banda de jazz, discotecagens de pedradas funk-groove, projeção de clipes bem locos, enfim.. Paga dez conto pra entrar, os caras vendem breja a 3 conto, e pode levar seu goró. Não podia ficar melhor que isso. Mas é melhor. O lugar tava cheio mas não insuportável, a CIRCULAÇÃO DE AR era ok, e claro, podia fumar. Nada de seguranças mal encarados, bartenders modeletes com cara de cu, só galera do bem curtindo a balada na paz. A banda eram uns moleques que executavam com GALHARDIA músicas fodas como ‘Kind of Blue’, uns THELONIUS MONK, uns COLTRANE  e companhia bela.

Saí de lá desorientado por tanta coisa legal, e o renatinho mais ainda, tanto que foi procurar o carro na rua errada e achou que tinham roubado. Depois errou três vezes a entrada pra 23 de maio. Mas conseguimos chegar em casa. Eu, depois de quase 24h direto acordado, mal vi o sábado passar. Mas valeu. Lugares como esse me fazem voltar a ter fé na capacidade de transgressão criativa da noite de São Paulo. Ainda estamos vivos. E, claro, to com vontade de agitar uma balada lá (não sei o nome e nem sei se tem nome), com os jazz’n’ribs…

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~ por pnoviello em 09/08/2010.

4 Respostas to “The Jazz Hole”

  1. Demais cara, curti muito esse dia.
    Foi foda esse atraso, mas beleza, depois o rolé compensou.
    Outras virão!

  2. nem chama os amigos…

  3. sabes que tô de volta naquelas vizinhanças, quando colar de novo dá um toque, bráder!

  4. po,a gente foi pararlápor acaso,e o negócio não rola regularmente, mas peguei o celular dum dos maluco que organiza..

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