Casadalapa: E a balada em SP resiste

Foto mequetrefe do celular mostrando a vista do alto da casa

Era uma casa muito engraçada, essa tal casadalapa. Num pedaço ainda não foi estuprado pela especulação imobiliária deste bairro tão legal de SP, na parte conhecida como VILA IPOJUCA, na encosta do morro, havia uma casa grande, terreno daqueles compridos, em vários níveis, acompanhando a elevação do morro, com jardinzinho no fundo. Lá, um bando de 18 malucos artistas plásticos designers videoartistas e coisaetal se juntaram para trabalhar coletivamente, cada um na sua pira, mas com alguma coisa em comum. E como ninguém é de ferro, voltaemeia essa galera organiza festas por lá. E neste sábado, o mote da comemoração eram os cinco anos de existência da casa.

Fiquei sabendo da bagunça pelo sempre bem informado Rodrigo Lorenza, e embora o tempo nublado e chuvoso do sábado não fosse muito animador e tivesse afugentado a maioria dos possíveis baladeiros que contatei, a sempre valente Liginha, além do próprio Lorenza, estavam lá. Antes, dei uma passada na casa do camarada Paulão, que celebrava seu aniversário, e fiquei devidamente calibrado no quesito etílico. Da casa dele, no começo da Raposo, tinha que pegar um busão até a Rebouças com a Faria Lima e de lá o bom e velho Terminal Pirituba, 847P até a descida da Lapa. Entrei numa padoca da Faria Lima pra comer um pedaço de pizza pra encarar o rolê, e então caiu o mundo. Esperei a chuva acalmar e peguei o busão, já preocupado pq o Lorenza havia avisado pra chegar cedo, pq era grande a chance do pico lotar, apesar da chuva. O desespero aumentou no trânsito surreal naquele trecho infernal da Vila Madalena por onde o busão passava, mas cheguei. Já tinha uma galera, mas deu pra entrar de boa. Peguei a primeira latinha de Itaipava meio quente (fazer o que) e fui circulando pelos muitos ambientes, e não foi a toa que o Lorenza falou que ali rolava um clima SERRA PELADA, com a galera subindo e descendo como formiguinhas as diversas escadas e corredores do terreno inclinado da casa. Me acomodei num canto, perto do bar, claro, deixei minha mochila num cantinho interno, protegido da chuva, e fiquei observando o ambiente e a galera, aquela mistureba de malucos, artistas, hipsters, descolados, deslocados, mulherio em profusão e os demais exemplares da fauna noturna paulistana, que com cada vez menos lugares legais para ir, sempre acabam se encontrando quando rola uma balada legal dessas.

Claro, fumaça liberada, som bom, bebida barata, nada de seguranças cuzões, galera do bem organizando… mesmo com chuva, todo mundo quis ir, e o pico lotou rapidamente. Consegui achar a Liginha, que foi companhia inseparável e inestimável durante a noite. A grande atração musical seria o grande EDGARD SCANDURRA com seu projeto de covers do Hendrix, If 6 was 69. Impossível se aproximar do minúsculo espaço em frente do palco, mas deu pra ouvir bem um dos melhores guitarristas brasileiros reproduzindo com galhardia os clássicos de mr. Hendrix. Nessa altura não conseguia me mover mais do que os dois metros do cantinho onde estava até o lugar que pegava a cerveja. A mina que heroicamente ficou o tempo todo na breja me adorou por estar cheio de notas de cinco e facilitar o troco. Só depois das quatro, com a balada um pouco mais vazia, conseguimos nos aproximar do som, que no momento mandava um funk pancadão xize, mas logo melhorou com o novo DJ só mandando pedradas rock and roll, e já completamente alcoolizado e com as costas que doem há mais de duas semanas anestesiada, dancei que nem louco. Diversão pura. Quando me dei conta já amanhecia. Bora pegar o busão pra casa, um tanto quando desorientado. Peguei o primeiro que passou, um Terminal Campo Limpo que deixaria a Liginha na porta de casa, mas eu sei lá onde. Resolvi descer quando o cobrador falou para uma mina que ali daria pra pegar o Santa Cruz (875C). Desci lá na Afonso Brás e desci andando pra casa, na felicidade da dor amortecida dos bêbados e por constatar mais uma vez que apesar do Kassab, apesar da higienização, apesar da caretização, e da CYRELIZAÇÃO, a São Paulo festeira, roqueira, fumante, maluca, artística e inquieta que aprendi a amar ainda existe. É só saber onde ela está nesta noite. Pode ser em qualquer lugar.

Nesta sexta agora (08/04), ela estará na gloriosa ZAPATERIA, aquele porão muito doido embaixo de uma loja de botas pra motoboy na Consolação, esquina com a Cesário Motta Jr, que já falei por aqui. Desta vez, o cardápio musical é do mais puro JAZZ, mas a combinação lugar inusitado, galera sangue bão, sonzeira e bebida barata é garantida. Bora lá?

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~ por pnoviello em 04/04/2011.

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